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Cresce a farra dos cachês milionários na Bahia diante da falta de serviços básicos

Sexta feira 01 de maio de 2026.

Cresce a farra dos cachês milionários na Bahia diante da falta de serviços básicos
Cresce a farra dos cachês milionários na Bahia diante da falta de serviços básicos (Foto: Reprodução)

A Bahia que faz festa enquanto adoece e segue carente de saneamento básico

Existe no Brasil um fenômeno silencioso, mas escandaloso. Enquanto mães esperam horas nos corredores de postos de saúde sem medicamentos, enquanto professores ensinam em salas úmidas e mofadas, enquanto servidores municipais têm seus salários atrasados por meses, pequenos fornecedores seguem sem receber por meses a fio… R$ 5 bilhões do dinheiro público foram gastos em shows musicais nos últimos dois anos, no Brasil.

Não estamos falando de incentivo à cultura popular, ao artista local, ao folclore que identifica cada povo com sua terra. Estamos falando de cachês astronômicos, negociações obscuras, emendas parlamentares usadas como moeda eleitoral e contratos que desafiam qualquer parâmetro de razoabilidade administrativa. Como nunca antes na história desse estado! Rápido, e as escuras, e invisível como na passagem do cometa Halley.

Os especialistas em auditoria de contas públicas municipais, ao analisarem os dados dessa investigação, uma pergunta os assombra: tudo isso é fato isolado, “desorganizado” — ou existe alguém coordenando o sistema por trás? As evidências sugerem que a resposta pode ser mais perturbadora do que gostaríamos de aceitar.

Parte I — O diagnóstico: municípios paupérrimos gastando o que não têm

O primeiro dado que qualquer auditor responsável logo assimila, é o contexto fiscal dos municípios contratantes. Do total de R$ 5 bilhões gastos, R$ 2 bilhões partiram de cidades com nota C ou D no Índice de Responsabilidade Fiscal do Tesouro Nacional. Em linguagem simples: são prefeituras que, tecnicamente, não têm dinheiro para gastar com o básico, mas gastam milhões com cachês de artistas forasteiros, sem qualquer tradição com a cultura regional, da ocasião.

Fundamento contábil: Municípios com nota C ou D no sistema de gestão financeira Siconfi apresentam grave desequilíbrio entre receitas e despesas, comprometimento elevado da receita corrente líquida com pessoal, ou endividamento que ultrapassa os limites da Lei de Responsabilidade Fiscal (LC 101/2000). Pagar shows nestas condições não é apenas imprudente — é um sinal de alarme para o Ministério Público, que vem num crescente de dar publicidade aos números, embora, tenha se limitado a publicar gastos com cachês e não com o total gasto incluindo iluminação, som, palco….

O caso mais didático — e também mais doloroso — foi o caso denunciado pelo portal UOL, mostrando que a cidade de Quijingue -BA, o prefeito chegou a decretar estado de emergência por descontrole financeiro, atrasou salários de servidores e deixou fornecedores sem receber. Mas quadruplicou os gastos com festas, chegando a pagar R$ 854 mil só pela dupla Zé Neto & Cristiano em uma única noite (os quais não sentem qualquer remoço). Enquanto isso, a unidade básica de saúde da cidade funcionava em horário reduzido para economizar energia elétrica, e as paredes das salas de atendimento estavam tomadas pelo mofo. (mais…)